terça-feira, 11 de outubro de 2011

VIK MUNIZ no Museu Berardo até 31 de Dezembro

Exposição temporário de Vik Muniz, no Museu Berardo, em Lisboa. Conheça o site do artista, aqui.
A exposição temporária VIK no Museu Berardo é a maior retrospetiva do artista plástico brasileiro Vik Muniz até à data.  Mais de uma centena de trabalhos representativos da sua trajetória artística estão em mostra. Vik utiliza materiais pouco convencionais para compôr os seus trabalhos fotográficos: papel recortado, sucata, calda de chocolate e algodão. A referência a clássicos da história de arte deu origem a obras emblemáticas como a famosa réplica da “Mona Lisa” de Leonardo da Vinci, feita com geleia e manteiga de amendoim. Mais recentemente, o artista tem-se dedicado à criação de obras de grande escala, destacando-se a série de imagens feitas a partir de lixo, cujo processo criativo é a base para o documentário Lixo Extraordinário.

Neste filme a história dos retratos de crianças - famílias a quem a vida já extraíu toda a doçura, os retratadas são filhos de trabalhadores dos canaviais que fazem 16 horas de trabalho diário para sobreviver - é o ponto de partida para uma exploração da ideia da mudança da atitude das pessoas através da arte. Será isso possível? O Jardim de Gramacho é o maior aterro do mundo em recepção de volume de lixo recebido. 70% do lixo do Rio de Janeiro vai ali parar, o dos ricos e o dos pobres, mistura-se ali, assim dissolvido o classismo, o pior que o Brasil tem, para Muniz. Na "cidade do lixo" e ao seu redor, desenvolveu-se a indústria da reciclagem. Os catadores são elementos essenciais ao processo - separam o lixo, indiferentes ao cheiro ou à tristeza, os camiões levam-no para os depósitos e daí vão para a indústria de granulados. Um catador, Tiao, vai até Londres e deambula com Muniz na Philips de Pury & Company entre obras de arte contemporânea de Damien Hirst, Basquiat e Gavin Turk enquanto discutem o preço das obras de arte. Tiao vê Sebastião Marat, obra de Muniz, em leilão, render 28.000 libras e chora ao telefone com a mãe do outro lado da linha. O mesmo material que é o ganha pão dos catadores transforma-se em arte e os próprios catadores assim retratados são resgatados e dignificados aos olhos do mundo. Mas também eles mudam no processo. O dinheiro resultante desse projecto foi usado em projectos de apoio social à comunidade de 
catadores. Em 2012 espera-se que esse aterro seja fechado.

Visitem a magnífica página dedicada ao artista no site Arstsy.net!

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Boa Sorte!

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

O tom da praia da Figueira no Outono


Alegre-se honestamente por aquilo que tem, páre de remoer naquilo que não tem, a vida vai saber-lhe melhor. Quantas vezes já lemos isto? No Facebook agora reina a mania das citações. Os murais individuais, e, por consequência, o do feed colectivo estão mais carregados de dizeres do que as paredes dos edifícios em Portugal após o 25 de Abril! Eu também já dei o meu contributo. Não que tenha subido na wall citações desenhadas com fontes bonitas mas porque partilhei algumas.  Adiante. Se eu pudesse descer a rua todos os dias do ano, dar um pulo à beira-mar, servir-me de uma colherada de sol, do meu tempero de água e sal e regressar, nem me ouviriam queixar sobre o que não tenho e quero ou sobre o que quero e não posso ter. Outubro na Figueira da Foz, observem a superfície intocada daquela areia lambida pelo mar: nem uma pegada de ave se adivinha, até parece que estamos nos confins do mundo e que não há ninguém por ali...


A quem teria pertencido esta bota? Que homem a calçou e descalçou? Que léguas submarinas navegou até ser atirada para a praia pelas ondas? 


Encontrei um coração de conchas com um C dentro. C de coração, C de concha, C de calor. C de copiar e por isso copiei a ideia e deixei o coração menos só, acompanhado por um outro, em tons de azul. Pela noite dentro a maré vai subir, engolir os dois, apagar esta história.



Entre a vida e a morte: quatro cachorros vivaços habitam a praia de Buarcos desde há uns tempos, a mãe não coube na fotografia, nem o quarto filhote; um pássaro fechou as asas para sempre e jaz inerte sobre as areias.  Muito esquivos, os cachorros não me deixaram aproximar, enquanto a mãe ladrava o mais que podia para me intimidar, inofensiva. Enquanto houver pessoas por ali a comida vai aparecendo. E quando chegar o Outono a sério e o Inverno de verdade? Tornar-se-ão caçadores de gaivotas ou comedores de peixe?!Já alertei a Associação de Protecção dos Animais da Figueira da Foz. Mas eles continuam lá, sérios candidatos a cães vadios. Um deles está magriço, percebem-se as costelas. Ninguém poderá fazer nada por eles? Amanhã vou deixar-lhes comida, se der um pulo à praia, ao fim da tarde.
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