segunda-feira, 5 de março de 2012

A ilha das Flores - curta metragem premiada


Em 1990 a curta metragem A Ilha das Flores, de Jorge Furtado, ganhou o Urso de Prata no Festival Internacional de Berlim. Também está na lista dos 1001 Filmes para Ver Antes de Morrer, livro de Steven Jay Schneider, por isso, veja agora e risque esse título da lista de Schneider!! Esta seria talvez a mais fútil das razões para ver este documentário, mas vale tudo para tentar captar o seu interesse! 
A ilha em questão não é a nossa ilha das Flores, o extremo mais ocidental da Europa, que em conjunto com a ilha do Corvo constitui o Grupo Ocidental do Arquipélago dos Açores.  Esta Ilha das Flores está localizada na margem esquerda do Rio Guaíba, a poucos quilómetros de Porto Alegre. Grande parte do lixo produzido na capital brasileira é levado para ali e depositado num terreno que é propriedade de criadores de porcos. Quando assisti pela primeira vez a esse filme fiquei boquiaberta ante o supreendente desfecho. A nota principal de todo o filme é a ironia. Este não é um filme de ficção - Esta não é a sua vida - Deus não existe. É assim que começa. Seguimos, pois, o percurso de um tomate estragado desde a plantação de um brasileiro com origens japonesas até à Ilha das Flores. Ele é apanhado e vai para o supermercado, daí para a cozinha dos consumidores onde se transforma em molho de carne de porco. O tomate estragado vai para o caixote do lixo e depois é transportado e despejado no depósito de lixo na "Ilha das Flores". Aí os detritos são separados. E eu não vou contar o final ou estragaria a sua surpresa. 
Este documentário serve para refletir sobre a sociedade de consumo e suas desigualdades. Assista a esta reflexão quase científica e muito ácida sobre a forma como o homem, esse magnífico  ser com o telencéfalo altamente desenvolvido e o polegar opositor, não está a conseguir vencer os desafios do desenvolvimento e da repartição da geração de riqueza. Filmado no final dos anos 80, a mensagem deste documentário continua tristemente actual. 

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